domingo, 15 de maio de 2011

Pois é


Posso até já ter saudades de comer bagels ao pequeno almoço, de parar na Starbucks, de olhar para a janela e ver o Empire State Building, da minha liberdade, de andar na rua e as pessoas sorrirem para mim, de comer cachorros quentes em cada esquina, de olhar para o mapa para ver a direcção que tenho que tomar para o metro me levar onde quero, de fazer compras, de estar num universo paralelo onde o meu fuso horário era diferente de todos os outros, de olhar para cima e não conseguir perceber onde acaba um prédio, de ver sítios novos e diferentes, de observar pessoas, de tirar fotografias, de procura esquilos no Central Park, de ouvir cada pessoa a falar uma língua diferente, de prestar atenção para ver se encontro portugueses, de irritar-me com a quantidade absurda de brasileiros que há espalhados por todo o lado, da confusão, de ver centenas de táxis amarelos, de comer Nuts 4 Nuts, de ir às farmácias que têm tudo, desde comida a material escolar, de ver que todas as pessoas têm estilos diferentes mas sempre uma coisa em comum - o seu iPhone, de atravessar a estrada com mais 50 pessoas, para cada lado, de estar lá sem pensar em quem não merece, de ver que a anormalidade pode ser normal, de assistir a um jogo de NBA ao vivo, de ver estudantes nerds em todo o lado, de pensar em lembranças para toda a gente, de ver o gosto e o empenho das pessoas em qualquer que seja o seu trabalho, de falar com as pessoas só porque elas meteram conversa comigo, de ver de manhã o Good Morning America. Mas também já estava farta de comer sempre em restaurantes, de dormir em hotéis, de arrumar malas e tirar etiquetas, de andar (muito), de ter que vestir camisolas e casacos atá mais não, de ter poucas opções de escolha de roupa apesar das muitas e muitas compras, de andar com a mochila às costas, de empurrar portas e pensar na nojice que estaria ali entranhada da quantidade de pessoas que tocam naquilo durante o dia. Posso até dizer que já tinha saudades da sopa da minha mãe, de poder pegar no telemóvel e poder mandar uma mensagem só porque sim, de estar com as minhas pessoas, de ouvir a minha língua, da minha rotina diária, de lavar as mãos sem ser só nos restaurantes e ao fim do dia no hotel, de escrever, do meu sofá e da minha manta, até de andar de carro. No fim, as mais pequenas coisas são sempre as que mais sentimos falta, mesmo nos grandes momentos, nas grandes oportunidades. Sem dúvida alguma.

2 comentários:

Susana disse...

Adooooooro, god, quero muito essa viagem! Mas tens toda a razão, as coisas de casa não se comparam a nada! Beijinhos*

Rita disse...

A pura da inveja! =) ai Lady C, a vida sorriu-te!