quinta-feira, 16 de junho de 2011

Se eu pudesse...

Chega sempre uma altura da nossa vida em que temos que fazer escolhas, sejam elas no âmbito pessoal como profissional. E nesse segundo aspecto eu posso dizer que sempre fui uma rapariga, sem qualquer tipo de dúvidas em relação àquilo que queria fazer no meu futuro. Ainda hoje, agora que tenho que fazer realmente uma escolha, sei que só tenho uma opção. Que para mim só há uma opção. Mas depois há dias em que penso que se pudesse fazer as coisas realmente à minha maneira, a minha escolha, a minha certeza de sempre, mudaria, num piscar de olhos. Idealizo várias vezes como seria [ou vai ser] a minha vida como arquitecta, mas umas outras quantas vezes penso em como seria a minha vida se fosse escritora. Não jornalista, não repórter mas sim escritora. É óbvio o meu prazer pela escrita, umas vezes mais que outras, mas como seria se pudesse fazer disso a minha vida? Em vez de ter que dedicar o meu tempo a fazer riscos no papel, entre perspectivas e coisas que tal como seria se pudesse dedicar todo o meu tempo à escrita? Numa vida irreal, somente imaginária, teria todo o tempo do mundo para fazer pesquisa, sobre tudo e mais alguma coisa, como boa curiosa que sou, para depois puder utilizá-la nos mais variados livros. Teria mais que tempo para pensar em todos os dilemas e encruzilhadas da vida, desde os mais simples aos mais complexos. Iria ter tempo para almoçar com as minhas amigas e saber a opinião delas sobre os mais variados assuntos. Iria ter tempo para escrever sobre a minha vida, a dos que me rodeiam e sobre as vidas que estão fechadas na minha cabeça. Teria tempo para observar as pessoas, os seus modos de vestir, os tiques, os jeitos. Iria depois descrevê-los num belo romance ou num drama policial. Deambularia todo o dia pela cidade, esta que tão perto está de mim ou outra qualquer que me apetecesse. Sempre com um bloco de notas atrás, sempre pronta a apontar a ideia mais estapafúrdia que me viesse à cabeça. Escreveria textos grandes, textos pequenos, sobre futilidades ou teorias dignas de filósofos. Escreveria simplesmente. Tudo e nada. Num mundo paralelo, tudo isto seria perfeito, o ideal. Faria das pessoas e das palavras a minha vida. Mas não passa de um sonho. Neste mundo, o real, contento-me com os prédios que sairão das minhas mãos, a minha escolha, a minha certeza de sempre. Ou não.

5 comentários:

Susana disse...

Ora aí está uma coisa que tenho em comum contigo: se eu pudesse, largava o certo pelo incerto e saía à rua com uma caneta na mão, quer fosse para escrever livros ou notícias e reportagens (que tanto gosto). Quem sabe...

Susana disse...

Espero que continue, por muito muito tempo :) (e sim, tens razão, é mesmo a cara dele - completamente o seu género...)

Gonçalo disse...

gostei muito do post :)

Rita disse...

É tudo arte, Lady C.
O poeta, de caneta na mão, fixa o seu sonho em papel. O arquitecto fixa, minuciosamente, pelos seus desenhos, as dimensões, a ordem e as formas das suas construções.
É tudo arte.

Ana Rita disse...

Podes sempre ser arquitecta e ter como hobbie a escrita :)