domingo, 5 de junho de 2011

A sério, quando?



Quando é que vamos dar um passo em frente? Quando é que vamos deixar de pensar em “ses”, em hipóteses, em condicionantes? Quando é que vamos dar a volta ao mundo? Quando é que vamos deixar um emprego que nos deprime? Quando é que vamos dizer a verdade a quem a merece ouvir? Quando é que vamos organizar o armário? Quando é que vamos pensar em nós? Quando é que vamos começar a correr? Quando é que vamos parar de correr atrás? Quando é que vamos cortar o cabelo acima dos ombros? Quando é que vamos dizer “amo-te”? Quando é que vamos dizer “odeio-te”? Quando é que vamos parar de adiar? Quando é que vamos pôr a papelada toda em dia? Quando é que vamos admitir que temos saudades? Quando é que vamos deixar de ser parvos? Quando é que vamos começar a ser espertos? Quando é que vamos beber 2,5 litros de água por dia? Quando é que vamos atirar-nos para o chão a chorar de tristeza? Quando é que vamos deixar de ter vergonha de olhares alheios? Quando é que vamos ser capazes de vestir roxo e vermelho? Quando é que vamos fazer uma limpeza daquelas? Quando é que nos aventuramos no dentista? Quando é que entramos em dieta? Quando é que assumimos os quilos a mais? Quando é que vamos ser nós? Quando é que vamos ajudar alguém? Quando é que vamos poupar? Quando é que vamos esbanjar tudo nuns sapatos de 12cms? Quando é que vamos ter filhos? Quando é que vamos admitir que vivemos bem sem putos? Quando é que vamos cantar aos altos berros? Quando é que lhe vamos dar com os pés? Quando é que vamos admitir que errámos? Quando é que vamos lutar pela razão? Quando é que vamos largar o Facebook? Quando é que vamos tratar do IRS com antecedência? Quando é que vamos passar mais tempo com os amigos? Quando é que vamos fazer um jantar romântico para o marido? Quando é que nos vamos enfiar no carro e andar só porque sim? Quando é que vamos ter um cão em casa à nossa espera? Quando é que vamos parar de fazer perguntas e começamos a tratar das respostas?


Ao ler este texto na sexta-feira passada, fiquei a pensar nele, a verdade é mesmo esta: passamos a vida a pensar em mil e um planos, a dizer que vamos fazer isto ou aquilo, mas depois nada acontece. Isto porque, nunca temos a coragem ou a força de vontade suficientes para fazer algo diferente, mesmo que seja algo que queremos, mas que sai da nossa linha de conforto. Tornamo-nos comodistas, queixando-nos das nossas vidas mas sem fazer nada para as tornar diferentes. E se já acho que isto acontece na nossa idade, como vai ser daqui a vinte ou trinta anos? Vamos continuar a fazer planos, a ter sonhos, mas sem nunca nos darmos ao trabalho de os realizar? Deviamos todos parar de procrastinar e fazer alguma coisa pela nossa vida, nem que isso passe por beber dois litros de água por dia, ou por arrumar o nosso armário. A sério, quando é que vamos parar de nos queixar de perguntar quando e começamos realmente a tratar das respostas?

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