sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

7 anos de ti

Os melhores presentes são aqueles que não estamos à espera e tu, és a maior prova disso. Não te pedi, não te desejei mas quando te recebi, acolhi-te, protegi-te, tratei-te e passei a amar-te. Curiosamente, entraste na minha vida no inicio da minha adolescência e partiste naquele em que acredito ser o inicio da minha fase adulta. Durante tanto tempo estiveste sempre lá, a primeira coisa para qual olhava ao entrar em casa, ao entrar na cozinha todas as manhãs, como olharei novamente para aquele espaço sem pensar em ti? Foste a única testemunha constante em todos os momentos que passei naquela casa durante estes anos, estiveste lá, sempre, em todas as alturas, boas ou não. Podia não te dar comida todos os dias e feno raramente (mas dava a mãe), mas água nunca falhava quando via o biberon vazio. Além disso, lembrava-me sempre de te comprar miminhos e de vez em quando lá descascava uma maçã ou uma cenoura para pôr na tua tigela. Sinceramente preocupava-me muito mais contigo quando não podia estar por perto, pois não podia ouvir-te raspar o chão ou a morder a gaiola ou até a beber água incessantemente, até mesmo ir lá bater ou chamar por ti quando achava que estavas muito quietinha. Limpar-te a gaiola sempre foi um castigo, excepto quando era mais pequena e só tinha que ficar a tomar conta de ti, tirando isso, sempre me lembrei de te pôr na varanda para aproveitares o calor do verão (apesar de depois nunca te ir buscar ao fim do dia) e fui sempre eu que carreguei a tua monstruosa gaiola quando tínhamos que te levar para algum lado. Também fui sempre eu que tratei de ti, daquelas vezes em que te mexias enquanto te cortávamos o pêlo ou as unhas e acabavas por te magoar. Ontem chegou o dia de partires de tão velhinha e cansada estavas de me aturar. Chorei por ti como nunca chorei por ninguém, porque apesar de ter falhado algumas vezes, sempre me preocupei contigo e gostei muito de ti. Sempre quis que soubesses isso, daí dizer-to tantas vezes em segredo quando te fazia festinhas. Chorei ainda mais por estar sentada no sofá agarrada à minha mãe, com ela a chorar também. O que nos fazes! Fizeste parte de uma altura importante da minha vida e provavelmente na que fazia mais sentido fazeres. Não partiste sozinha, tinhas o teu amigo cão perto de ti e também ele ficou triste, mas fez-te companhia. Como te disse ontem: gosto muito de ti. Adeus, Nikita.

3 comentários:

susana disse...

Imagino o que deve ser essa tristeza, e nem quero pensar quando a minha cadela for velhinha e morrer. Beijinhos

Rita disse...

<3

Danii disse...

Há uns dias que não venho ao blog e só agora tive tempo para passar aqui! Esta notícia mexeu comigo, apesar de só a ter visto umas 3 ou quatro vezes, adorei pegar nela pela primeira (e pelos vistos última) vez. Tenho mesmo muita pena que já não possa fazer parte da tua vida e da tua casa :x beijinho